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Trump quer trocar muro por apoio a imigrantes. Democratas dizem “não”

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O presidente norte-americano, Donald Trump, apresentou hoje o seu plano para acabar com o shutdown e, ao mesmo tempo, garantir a segurança da fronteira sul dos EUA e acabar com a “crise humanitária” que se vive na região. Um plano no qual insiste na construção do muro, pedindo para tal ao Congresso que desbloqueie 5,7 mil milhões de dólares, prometendo maior proteção para os jovens imigrantes que entraram ilegalmente nos EUA, conhecidos como Dreamers.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

Trump, numa intervenção a partir da Casa Branca, diz que o processo de imigração está “estragado” nos EUA, depois de começar por referir que teve a honra de presidir à cerimónia de cidadania de cinco novos cidadãos. “Somos todos iguais, somos uma equipa, a saudar a bandeira norte-americana”, referiu, falando na história de imigração do país.

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Mas, refere, o processo migratório está estragado e os EUA estão “a viver com as consequências e elas são trágicas “. Segundo Trump, há uma crise humanitária na fronteira sul dos EUA que requer “ação imediata”.

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Subscrever O presidente fala das “milhares de crianças que são exploradas por traficantes e cartéis”, do facto de “uma em três mulheres ser alvo de agressão sexual no caminho até à fronteira”, indicando que muitas mães dão a pílula às filhas menores porque sabem que correm o risco de ser violadas e engravidar. E lembra as drogas que estão a entrar nos EUA . “As drogas matam 78 mil norte-americanos por ano e custam 700 mil milhões de dólares ao país”, lembra Trump, indicando que muita dessa droga entra pela fronteira com o México.

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“A falta de controlo fronteiriço permite que os criminosos entrem nos EUA“, indicou o presidente. “Isto tem que acabar agora”, referiu, lembrando que enquanto candidato presidencial prometeu acabar com o problema e que essa promessa é algo que pretende cumprir “de uma maneira ou de outra”.

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“O nosso sistema de imigração devia ser um motivo de orgulho, não uma fonte de vergonha como é em todo o mundo”, diz Trump. “O nosso sistema de imigração devia ser a inveja do mundo”. O presidente diz que os problemas podem ser resolvidos, mas “só se houver coragem política para fazer o que é justo e certo”. E pede diálogo em Washington para encontrar essas soluções. “É tempo de reclamar o nosso futuro das vozes extremas que temem o compromisso e exigem as fronteiras abertas”, indicou

“Estou aqui para dar ao Congresso uma via em frente para acabar o shutdown do governo e acabar com a crise na fronteira sul do país”, refere, dizendo que a proposta é resultado das consultas aos profissionais que trabalham nas fronteiras

É um compromisso que ambos os partidos devem fazer. “Os muros não são imorais, porque vão salvar muitas vidas”, defende o presidente, que promete reuniões semanais para lidar com o problema

Trump propõe 8,5 milhões de dólares para ajuda humanitária imediata, um reforço das equipas de fronteiras e de equipas de juízes de imigração. O plano inclui ainda os 5,7 mil milhões de dólares para o muro – “não é uma estrutura de cimento de um mar ao outro”, insiste, falando em muitos milhares de barreiras que já existem. “Se construirmos uma barreira a taxa de crime e os problemas da droga seriam rapidamente reduzida”, defende Trump

O presidente oferece três anos de prorrogação do prazo de proteção dos jovens imigrantes que entraram ilegalmente no país, os Dreamers, assim como os imigrantes que têm direito a proteção temporária. “Este é o nosso plano, justo e razoável, com muito compromisso”, referiu

Na prática, o presidente continua a exigir que o Congresso desbloqueie 5,7 mil milhões de dólares para construir o muro na fronteira com o México, dizendo-se disponível para apoiar legislação que protege os jovens imigrante ilegais, conhecidos como Dreamers, assim como alargar o estatuto dos que têm direito a proteção temporária (ou TPS). O objetivo é acabar com o shutdown do governo, que já dura há 29 dias (um recorde)

Os Dreamers, a maioria dos quais latino-americanos, entraram ilegalmente nos EUA quando era crianças e estão protegidos da deportação pelo programa DACA, que garante a 700 mil pessoas autorização para trabalharem, mas não lhes abre o caminho para a cidadania norte-americana

O DACA foi lançado em 2012 pelo ex-presidente Barack Obama, graças a uma ordem executiva, mas Trump anunciou em setembro de 2017 que pretendia revogar a medida – que só continua em vigor devido a uma decisão dos tribunais

O estatuto de proteção temporário é dado a cidadãos de determinados países afetados por guerras ou desastres naturais, permitindo que vivam e trabalhem nos EUA durante um período limitado de tempo. A Administração de Trump tem mostrado grande ceticismo em relação ao TPS e tem-se preparado para revogar o estatuto de milhares de imigrantes de El Salvador, Haiti, Honduras e outros países

Pelosi rejeita proposta “inaceitável” Ainda antes de Trump falar, já a líder da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, rejeitava a proposta, considerando-a “inaceitável”

Para Pelosi, o plano de Trump “não representa um esforço de boa fé para restaurar certeza às vidas das pessoas” e dificilmente passará tanto na Câmara dos Representantes como no Senado, indicou num comunicado citado pela Reuters